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A emoção de receber uma carta…

Não digo um carta digital, um texto por e-mail, digo, carta mesma, escrita de próprio punho. O projeto Chá com Cartas se propõe exatamente isto, resgatar a emoção transmitida por uma carta…

O ator e publicitário Ramon Brant há 3 anos vem se dedicando a um projeto intitulado Chá com Cartas, nas ruas de Belo Horizonte.

Ele teve a ideia para o projeto ao receber uma carta de uma amiga com uma mensagem simples mas poderosa: “Saudade é o amor que fica”. A partir daí, decidiu que gostaria que outras pessoas experimentassem a sensação de receber uma carta.

Em um mundo onde tudo é tão rápido e instantâneo, dedicar tempo e emoção para escrever uma carta é realmente uma demonstração de apreço pelo destinatário da carta.

Segundo Ramon Brant:

“A tecnologia tem dessas coisas. Ela aproxima os distantes e afasta os próximos. Você pode estar conversando, dentro do seu quarto, com um amigo que está do outro lado do mundo, sendo que a sua mãe está perto, na cozinha. E a carta pede que você dedique seu tempo àquela pessoa. É um resgate do cuidado”

Este projeto me lembrou o filme Her no qual o protagonista principal Theodore, interpretado brilhantemente por Joaquim Phoenix, tem como ocupação a escrita de cartas. Ele trabalha em um empresa no qual as pessoas contratam para redigirem uma carta com caligrafia manual para um ente querido, uma carta de amor, uma carta de agradecimento, uma carta de amizade, etc.

Num mundo cada vez mais digital e instantâneo, as pessoas acabam perdendo a sensibilidade inata de cada um de expressar suas emoções e sentimentos necessitando contratar um terceiro para realizar uma tarefa que cabe somente a si mesmo.

Theodore desenvolveu a habilidade de sentir a emoção que a carta exige e redigi-la como se a própria pessoa que a contratou estivesse escrevendo. A ironia do filme que ao mesmo tempo ele é uma pessoa solitária com dificuldades de se relacionar pessoalmente. Enfim é um filme com muitos questionamentos interessantes. Fiz uma resenha sobre o filme. Acesse resenha filme Her.

Voltando ao projeto Chá com Cartas, posso afirmar com propriedade, que Ramon Brant está certo, é muito emocionante receber e escrever uma carta. Há pouco mais de dez anos, me correspondi por cartas com minha adorável esposa. Ela morava em Goiânia e eu em São Paulo. Apesar de falarmos sempre ao telefone e encontrarmos regularmente a cada mês, a troca de cartas foi uma experiência marcante no nosso relacionamento e certamente, era um dos momentos mais aguardados por cada um de nós.
Pensar na frase certa, no verbo e na expressão que poderia transmitir e se aproximar da emoção que sentíamos (e ainda sentimos) pelo outro, requeria tempo e dedicação, mas que valia cada esforço empregado.

Reitero a sugestão de Ramon Brant. Escreva uma carta para alguém e depois peça para que a mesma lhe responda com uma outra carta. Mas não escreva de qualquer jeito, deixe a emoção vir, escolha as palavras com cuidado. Tenho certeza de que você passará por uma experiência rara nos dias tecnológicos de hoje.

Depois vem contar sua experiência aqui…

Fonte:

Post Há três anos, este mineiro distribui amor em forma de cartas por Vicente de Carvalho no site Razões para Acreditar

Foto: Pixabay / Gadini

Tags : emoção
Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP aficcionado por cinema e tecnologia interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

2 Comentários

  1. Escrevi a algumas semanas uma carta para uma garota, ela trabalhou alguns meses comigo, e me apaixonei desde a primeira vez que olhei para ela, e com o passar do tempo esse sentimento só aumentou, mas nunca pude contar nada, ela sempre estava num vai e vem com o namorado e eu nunca sabia quando eles estavam ou não juntos… e também tinha o medo de estragar todo o convívio me declarando.
    E a algumas semanas pediu as contas, e eu não pude deixar ela ir embora sem saber tudo oque sinto, então escrevi uma carta me declarando e explicando os motivos pelos quais nunca contei nada. Não tive respostas, foi melhor assim, mas ao menos me sinto leve, porque sei que agora ela sabe o quanto eu a amo.

    1. Ola Michel. Sempre tive dificuldades de me declarar também e a carta me ajudou em muitos momentos. Apesar de ela nao ter lhe respondido, foi bom ter tentado. Se não tivesse tomado uma ação ficaria com este sentimento remoendo e lhe torturando. O que teria acontecido se eu tivesse me declarado? Esta interrogação vc não tem mais. Paciência. A vida segue. Com certeza, você encontrará um novo amor. O maior arrependimento que podemos ter é aquele de NÃO termos sequer tentado. Obrigado pela colaboração e boa sorte para você.

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