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(Dis)Honesty – A verdade sobre as mentiras… documentário expões as recentes descobertas sobre o por quê temos comportamentos desonestos…

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(Dis)Honesty – A verdade sobre as mentiras… documentário expões as recentes descobertas sobre o por quê temos comportamentos desonestos…

Os noticiários são recheados de notícias e escandâlos sobre traição, corrupção, golpes, etc. Por que somos tão desonestos?

Dan Ariely é estudioso sobre comportamento humano, a racionalidade e a irracionalidade do ser humano.

Seu grande motivador pessoal para estudar este tema decorreu de um fato ocorrido na juventude: uma grave queimadura. A troca de curativos era um momento muito doloroso e penoso na sua recuperação. Apesar de constatar que o ideal para ele seria os curativos serem retirados bem lentamente, as enfermeiras concluíram que o melhor para ele seria retirar os curativos mais rapidamente, e assim, o fizeram. Mas quem estava sentindo a dor, era o paciente ou a enfermeira?

Por que realizamos atitudes irracionais? Este questionamento marca toda linha de pesquisa de Dan Ariely.

O documentário

O tema central deste documentário instigante é a mentira, a trapaça, o golpe, a desonestidade.

A desonestidade está frequentemente presente nos noticiários, por causa delas tivemos crises corporativas, crises econômicas, doping em esportes, fraudes em arte, etc.

Atire a primeira pedra quem nunca mentiu ou mente de vez em quando. No entanto, muito provavelmente todos nos consideramos honestos e confiáveis.

Não há uma discrepância, uma incoerência, uma ambiguidade?

Segundo o autor, conseguimos fazer isto por causa da racionalização. Ele afirma que todos temos uma capacidade de nos comportarmos mal e continuarmos nos achando boas pessoas, ele a denomina “fudge fator”, algo como efeito embuste.

Vamos exemplificar. Quando estamos dirigindo em uma estrada, sempre há um limite de velocidade. Um exemplo do efeito embuste é o fato de nossa mente nos dizer não ter problemas se ultrapassarmos somente um pouco o limite de velocidade.

Nós criamos um dialogo interno que justifique nossas ações desonestas: “Afinal, todo mundo faz. ”, “Não estou machucando ninguém. ”, “ Foi somente um pouco fora das regras. ”

Matrix Experiments

No documentário ele descreve várias conclusões interessantes baseado em um experimento, iniciado em 2002, e denominado Matrix Experiment e suas variações.

Neste experimento, um teste com vinte problemas matemáticos foi apresentado a voluntários. Os problemas eram de baixa complexidade e os voluntários tinham apenas cinco minutos para resolve-los. A qualquer momento, quando terminassem a prova, eles poderiam se levantar, conferir o gabarito, triturar a prova e dizer ao investigador quantas questões acertou.

Ao final, para cada resposta correta, o voluntario ganhava um dólar. O que o voluntario não sabia é que o triturador mantinha as provas intactas, permitindo o pesquisador confrontar o resultado real com o informado. Desta forma, poderia se detectar quantos deles estavam trapaceando.

Na média, os voluntários acertaram quatro questões mas reportavam terem acertado seis questões. Das 40000 pessoas participantes do estudo, aproximadamente, 70 % delas trapacearam.

Vinte voluntários, “os grandes trapaceiros”, disseram acertar tudo, que resultou em um $400 dólares de custo para o estudo. Os pequenos trapaceiros, somavam 28000 indivíduos, os quais corresponderam a um custo de $50000 dólares ao estudo. O impacto econômico dos pequenos trapaceiros foi maior do que o causado pelos grandes trapaceiros. Provavelmente, isto também ocorre na vida real. As “pequenas desonestidades” não parecem ser tão pequenas, concorda?

O que concluíram…

Com base em variações deste mesmo experimento, Dan Ariely e seus pesquisadores chegaram a várias conclusões interessantes sobre a mentira:

– pessoas criativas conseguem criar mais argumentos racionais aceitáveis para justificar a ação desonesta que estão prestes a exercer.

– Mentimos para nos mesmos, achando que somos melhores do que os outros. È o viés do otimista. Isto ocorre quando dizemos: “Isto nunca vai acontecer comigo”, “Posso engordar que nunca vou ter um infarto”. Este víes do otimista acontece em 80% das pessoas.

– Sabemos que mentimos para nós mesmos, mas com o passar do tempo, passamos a acreditar na mentira como se aquilo fosse verdade.

O lado bom da mentira

A mentira também possui seu lado bom. Não existiriam livros de ficção, filmes, peças de teatro, novelas e várias outras formas de expressão cultural.

A própria imaginação e inovação necessário para o avanço tecnológico depende da mentira para sua criação.

As brincadeiras lúdicas e tão saudáveis das crianças, onde uma almofada vira um escudo e um cabo de vassoura vira uma espada, seriam impossíveis sem esta capacidade mental de mentir.

Além disso, a mentira facilita o convívio social como brilhantemente ilustrada no filme O mentiroso com Jim Carrey. Neste filme, um advogado, interpretado por Jim Carrey, fica impossibilitado de mentir por 24 horas. Cansado de tanta mentira proferida por seu pai, ele faz um pedido de aniversario que é desejar que seu pai não minta. Para sua surpresa, seu desejo é atendido. Para quem não assistiu o filme, inúmeras confusões ocorrem por essa incapacidade de mentir.

O problema de se mentir muito

Um dos estudos realizados pelo grupo chegou a uma conclusão preocupante: Uma vez que você mente, fica mais fácil mentir consecutivamente. Exames de ressonância magnética demonstraram que a primeira mentira provoca altas atividades cerebrais na insula e na amígdala. Na 10a vez, uma mentira com a mesma magnitude, provoca uma resposta cerebral bem menor. A mentira fica cada vez mais fácil de ser proferida.

E agora, o que fazer?

Mediante tantos estudos demonstrando a desonestidade do ser humano, o que fazer?

O que fazer para as pessoas agirem mais honestamente?

Na Índia, há muitas escolas fazendo experimentos com lojas baseadas na verdade (Honesty shops). São lojas sem supervisão onde os alunos compram artigos escolares como lápis, canetas, borrachas e mapas e pagam o valor especificado.

Ensinar desde cedo, a honestidade pode ser uma alternativa para um mundo mais ético.

Outra alternativa, é ter um código moral sempre em mente.

Em uma variação do matrix experiment, se fosse pedido para o voluntário lembrar dos dez mandamentos da Bíblia antes do exercício. Desta forma ninguém trapaceava, ainda que não lembrassem dos dez mandamento. Não importava qual a religião do candidato. Mesmo ateus, quando pedidos para jurar sobre a Biblia, mentem menos, por reforçam os princípios morais que há dentro dele.

Concluindo…

Dan Ariely, finaliza o documentário com um breve comentário muito assertivo que transcrevo aqui:

“Quando o assunto é construir um mundo físico, parecemos entender nossas limitações. Construímos coisas como estradas e pontes para nos ajudar com as coisas que não fazemos perfeitamente por conta própria. Mas quando o assunto é o mundo mental, acabamos nos esquecendo de que somos limitados, de que somos falíveis. A ciência tem alguns pontos de partida para nos ajudar a pensar sobre isso. Não será simples. Mas temos a capacidade de construir um mundo melhor, mais ético e honesto. ”

O documentário exibe vários depoimentos de pessoas que foram desonestas no relacionamento, no emprego, que cometeram fraudes, etc. Em todos os casos, a desonestidade começou com algo pequeno da qual depois não conseguiram se desligar, até serem descobertos ou flagrados.

Fica um alerta…

 

Ficha Técnica:

dishonesty posterNome : (Dis) Honesty – The Truth About Lies

Tradução : (Dis) Honestidade – A verdade sobre mentiras

País : USA

Ano: 2015

Diretor: Yael Melamede

Nota IMBD:  7,4

 

Nota Rotten Tomatoes: 88 % (crítica) 80% (audiência)

 

Premiações: –

 

Trailer:

Tags : comportamento humanodocumentário
Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP aficcionado por cinema e tecnologia interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

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