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Resenha do filme A Chegada… Um filme de invasão alienígena diferente de tudo o que você já viu…

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Resenha do filme A Chegada… Um filme de invasão alienígena diferente de tudo o que você já viu…

Sinopse: A linguista Louise Banks é convidada pelo governo a ajudar na comunicação com alienígenas.

Reflexões:

– papel da comunicação

– ações de acordo com o padrão

– a linguagem interferindo na nossa forma de ver o mundo

– experiências de vida

 

Resenha

Contém spoilers… Caso não tenha assistido recomendo, vir conferir a resenha após tê-lo assistido.

Ao saber que um filme fala sobre contato alienígena imediatamente pensamos ser um filme de ação a la “Independence Day”.

A Chegada é um filme de ficção cientifica que vai além desse esteriótipo, e nos presenteia com belas reflexões ao longo de sua história.

O filme conta a história do dia da Chegada, ao mesmo tempo, uma gigantesca estrutura extraterrestres aparece em doze diferentes localidades ao redor do mundo.

Equipes do mundo inteiro montam suas equipes de investigação e contato com os alienígenas.

A equipe americana é liderada pela especialista em linguagem Louise Banks (interpretada por Amy Adams), pelo físico Ian Donnelly (interpretado por Jeremy Renner) e pelo Coronel Weber (interpretado por Forest Whitaker).

O foco do filme é a tentativa de comunicação com os seres alienígenas denominados heptapodes.

As equipes do mundo todo compartilham as descobertas entre si, de forma colaborativa.

Aos poucos, as equipes conseguem estabelecer alguns diálogos e tudo vai bem até surgir uma comunicação feita pelos aliens que foi traduzida como “use a arma”.

Desde o início do contato, haviam pessoas defensoras de uma atitude agressiva perante os alienígenas, partindo do pressuposto de que quem ataca primeiro tem a vantagem no combate.

A história da humanidade é cheia de conflitos entre os povos, com conquistadores de um lado e conquistados de outro. Sempre há um lado vencedor.

Partindo deste principio, é totalmente previsível e esperado, em um hipotético encontro com outras civilizações, as pessoas agirem de forma defensiva e imaginar que os alienígenas possuem intenção hostil.

De relance, o filme mostra por meio de noticiários, a onda de violência e saques nas cidades devido ao pânico gerado nas pessoas.

Com esta tendência a agressividade, a simples menção “use a arma” pelos alienígenas provoca uma reação de medo em cadeia liderada pelos chineses.

Os chineses impõe um prazo para os alienígenas abandonarem a Terra, caso contrário, os atacarão com armas nucleares.

A lingüista Louise Barks alerta que pode ter havido algum erro de interpretação, onde o termo “arma” pode significar apenas “ferramenta”.

Em uma conversa com os heptapodes, Louise Banks descobre estava certa. A “arma” a qual o heptapode se referiu era “sua linguagem”.

A linguagem dos heptapodes é um presente para os seres humanos. Com esta ferramenta, poderia ajudar a humanidade a encontrar seu caminho e, assim, no futuro, ajudar os heptapodes daqui há 3 mil anos.

A linguagem alienígena permitia quebrar a linha do tempo e acessar passado, presente e futuro como algo único.

Neste ponto, vale a pena refletir em duas questões levantadas pelo filme.

A primeira é em relação a linguagem e como ela afeta nossa forma de pensar.

Como exemplo, na língua portuguesa a palavra saudade não existe uma transcrição que contenha o mesmo significado em uma única palavra. O sentimento existe nos outros povos mas não se consegue reduzi-la a uma única palavra.

“A Saudade Brasileira”, de Osvaldo Orico (1948), que diz assim: “Nenhuma palavra traduz satisfatoriamente o amálgama de sentimentos que é a saudade. Seria preciso nos outros países a elaboração de um conceito que também amalgamasse um mundo de sentimentos em apenas um termo”. Ficamos, pois, com a nossa “saudade”!

O conceito de que a linguagem nos transforma é muito interessante.

As maravilhas do mundo digital que permeia todo nova vida cotidiana, computadores, aplicativos, smartphones com múltiplas funcionalidades, tudo é decorrente da linguagem de programação.

Os que conhecem a linguagem de programação com certeza possuem uma outra forma de enxergar este mundo digital. Esta forma de ver o mundo é totalmente inacessível para todos os outros que não dominam a linguagem de programação.

Da mesma forma no filme, a linguagem dos heptapodes permitiu a lingüista Louise Barks uma nova forma de ver o mundo.

Ela consegue acessar situações que ainda não aconteceram e trazer para o presente, interferindo neste presente.

Ela consegue evitar o ataque do governo chinês ao acessar uma conversa com o governante chinês que iria ocorrer no futuro e dizendo para o ele no presente as últimas palavras de morte da sua esposa!

Quebra de paradigmas!

Durante o filme, há várias cenas de Louise Banks com sua filha Hannah.

Alias o filme começa mostrando que Hannah infelizmente morre precocemente devido uma grave doença.

Varias cenas entre Louise e Hannah são mostradas no filme, inclusive ajudando Louise a resolver alguns dos seus problemas de comunicação como os alienígenas, como aquela vez sobre o conceito de negociação ganha-ganha (no zero sum – para um ganhar, o outro não precisa necessariamente perder, soma entre as partes não precisa ser zero).

Com a revelação da quebra da linha do tempo, percebemos que todas estas cenas com Hannah não estão no passado e sim no futuro: Hannah é fruto do amor entre Louise e Ian.

Para Louise, um dilema se faz presente: aceitar este amor é aceitar também a certeza da dor da separação e da dor da perda de uma filha (Hannah).

Ela aceita que a experiência e o prazer dos momentos bons supera os períodos de sofrimento.

Ian, por outro lado, ao saber o que o futuro reserva para eles, a morte de Hannah, acaba agindo de forma oposta, e covardemente abandona Louise.

Sempre vivemos nossa vida esperando sempre o melhor e nos adaptando e aceitando da melhor forma todas as intempéries da vida.

E se você soubesse que seu futuro? E se soubesse que seu filho fosse morrer precocemente? Ou que seu relacionamento não fosse durar?

Você agiria como Louise (escolhendo viver as experiências boas e ruins) ou como Ian (fugindo das experiências boas por causa das experiências ruins)?

Quanta reflexão!

Tudo isto demonstra a beleza deste filme.

Por trás de um aparente tema superficial e “pipoca”, como invasão alienígena, esconde-se camadas de profundas reflexões sobre comunicação, padrões de comportamento, medo, experiências de vida, quebra de paradigmas e o poder da linguagem em nossa forma de ver o mundo.

 

Ficha técnica:

Nome: Arrival

Tradução: A Chegada

País : USA

Ano: 2016

Diretor: Denis Villeneuve

Nota IMBD: 80

Nota Rotten Tomatoes:  94

 

Premiações:  Vencedor do Oscar 2017 de Melhor Edição de Som . Outras 42 premiações e 218 nomeações.

 

 

Taglines:

Why they are here?

(Tradução Livre: Por que eles estão aqui?)

Trailer:

Fonte:

O mito da palavra Saudade 

Trailer – Canal You Tube Sony Pictures Brasil

 

Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP aficcionado por cinema e tecnologia interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

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