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Resenha de Moonlight: Sob a Luz do Luar… A Academia não resistiu a sensibilidade, delicadeza e profundidade do filme…

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Resenha de Moonlight: Sob a Luz do Luar… A Academia não resistiu a sensibilidade, delicadeza e profundidade do filme…

Sinopse: O filme conta a história em três atos (infância, adolescência e adulto) de Chiron. Um garoto magro, negro, sem qualquer suporte familiar que vive sofrendo discriminações pelos seus colegas de escola.

Reflexões:

– importância da família / referência

– impacto das drogas na sociedade

– bullying

– homofobia

– auto aceitação

 

Resenha

Contém spoilers… Caso não tenha assistido, recomendo vir conferir a resenha após tê-lo assistido.

O filme é brilhantemente apresentado em três atos, como se acompanhássemos a trajetória da vida de Chiron, ao longo da infância, da adolescência até se tornar um adulto jovem.

Cada ato é suficiente em si próprio mas interligados imprimem uma complexidade e uma profundidade de extrema sensibilidade.

Primeiro ato

No primeiro ato, acompanhamos o “Little”, o pequeno Chiron e conhecemos a falta de suporte familiar que norteia sua vida.

Paula, sua mãe, é uma viciada em drogas que pouco se importa com Chiron.

Chiron vive sofrendo bullying e o destino acaba colocando Juan no caminho de Chiron.

Juan é um traficante de drogas que vê o pequeno Chiron correndo, se sensibiliza com o menino e resolve ajudá-lo com o apoio de sua namorada Teresa.

Em uma vida de total desamparo, Chiron acaba facilmente se afeiçoando a Juan e Teresa que acabam por retribuir e suprir esta carência.

Juan acaba se tornando o pai que nunca teve e a referência para o pequeno Chiron.

Um diálogo entre os dois particularmente importante é quando Juan conta a Chiron sobre o Moonlight, que inclusive veio dar o nome ao filme.

Juan: Eu estou aqui há um longo tempo. Fora de Cuba. Um monte de negros são cubanos. Eu era um pequeno garoto rebelde. Como você. Correndo descalços, a lua no céu. Certa vez, eu corri perto de uma senhora idosa… Eu estava correndo, uivando, como um bobo. Esta senhora me parou e disse:

Juan: [imitando a voz da senhora] “Correndo, capturando muita luz”. “. Sob a luz do luar, garotos negros são azuis”. “Você é azul “Eu vou te chamar deste jeito: ‘Azul’.”

[pausa]

Little: Seu nome é  ‘Azul’?

Juan: [sorrindo] Nah.

[pausa]

Juan: Em algum momento, você precisa se decidir quem você será. Não pode deixar ninguém tomar esta decisão por você.

 

Basicamente, este diálogo fala sobre rótulos, percepção e sobre auto conhecimento.

Tantas reflexões em uma pequena frase…

Todos adoram rotular, mas tudo depende do ponto de vista, da percepção.

Sob a luz do luar, o negro se torna azul.

Na ausência de luz, todas as cores se tornam pretas.

Em um mundo onde todos são obesos, o magro é o diferente…

No Japão, a pele alva é definido como bela.

Tudo depende da percepção e fica fácil perceber a fragilidade de se rotular.

Outra questão abordada nesta frase é a auto afirmação, o auto conhecimento, descobrir-se quem é você. Voltaremos a falar sobre isso em breve…

Ainda no primeiro ato, é tocante o momento quando Chiron questiona Juan se ele vende drogas.

Juan percebe e toma consciência que ele é co-responsável pela vida de Chiron ser do jeito que é.

Quantas outros “Chiron”s existem no mundo por causa de “Juan”s?

Em um mundo egoísta e materialista, onde cada um está por si e pensa só em si, as pessoas ficam cegas do poder que possuem perante a vida do próximo.

Todos nós influenciamos a vida de dezenas, centenas de pessoas sem nos darmos conta.

O trabalho bem feito, o exemplo, uma palavra amiga em algum momento de fragilidade, uma ajuda em um momento de necessidade… cada ato ou palavra pode impactar positivamente ou negativamente todos que nos cercam.

Fim do Ato Um…

Segundo Ato

No ato dois, vemos a adolescência de Chiron. Juan está morto (não explicito no filme mas subentende-se que deve ter sido morto devido as drogas). A mãe continua drogada e Chiron continua recebendo o suporte de Teresa (praticamente sua segunda mãe).

Na escola,  Chiron continua sofrendo bullying, de forma cada vez mais intensa e cruel. O único amigo é Kevin, um estudante de origem cubana, com quem Chiron acaba tendo um affair amoroso. É o primeiro vislumbre do que é o Amor.

No entanto, a desilusão amorosa também não tardou… Chiron acaba sofrendo bullying do próprio Kevin, devido pressão dos “amigos”.

Este ato, aliás, é o estopim para liberar toda raiva reprimida decorrente de toda opressão sofrida.

Ele agride os colegas de escola que sempre fizeram bullying com ele.

Chiron é levado pela polícia.

Fim do segundo ato.

Terceiro Ato

No ato três, somos chocados com a imagem de um Chiron totalmente transformado.

Praticamente, uma réplica de Juan, sua referência de infância.

Chiron está agora musculoso, virou traficante de drogas, possui um carrão, e anda com prótese dentária de ouro.

Após tanto desfortúnio devido às drogas, como o abandono de sua mãe e a morte de Juan, não era de se esperar esta personificação de Chiron, agora conhecido como “Black”.

No entanto, esta foi a forma encontrada por Chiron de ser respeitado. Juan foi sua única referência e foi como seu salvador.

O que seria de Chiron sem o suporte de Juan e Teresa?

Após dez anos afastados, Kevin liga para Chiron e o convida para comer no restaurante que trabalha.

Kevin fica chocado com o novo “Chiron” e fala “Chiron este não é você”.

Chiron acaba se moldando para obter o respeito sempre desejado, mas não é seu verdadeiro “Eu”.

Na reaproximação de Chiron e Kevin, descobrimos que Chiron reprimiu sua sexualidade e nunca deixou ser tocado por nenhuma outra pessoa.

Neste momento retomamos a frase sobre o moonlight: Em algum momento, você precisa se decidir quem você será. Não pode deixar ninguém tomar esta decisão por você.

Chiron apesar de achar que tinha tomado a decisão por si só, tinha deixado a sociedade, as imposições do meio, o sofrimento da juventude determinar quem ele era.

Ele estava vivendo de aparências, sem deixar seu “Eu” verdadeiro assumir.

O filme finaliza com o moonlight levando-nos a entender que agora ele abandonaria os rótulos e assumiria sua real identidade.

É um filme com temas complexos, mas abordados de forma singela e sutil. Atuações magistrais dão força a esta narrativa.

Em muitas situações, olhares e expressões são suficientes para transmitir a emoção e o pensamento dos personagens.

Enfim, é um filme merecedor de todos os prêmios que vem recebendo.

 

Ficha técnica:

Nome: Moonlight

Tradução: Moonlight: Sob a Luz do Luar

País : USA

Ano: 2017

Diretor: Barry Jenkins

IMBD: 99

Nota Rotten Tomatoes:  97

 

Premiações:  Vencedor de 3 Oscar de 2017 (melhor filme, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro adaptado). Outras 183 premiações e 245 nomeações.

 

Taglines:

This is the story of a lifetime.

(Tradução Livre: Esta é a estória de uma vida)

 

Trailer:

Tags : filmeresenha
Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP aficcionado por cinema e tecnologia interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

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