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Resenha do filme Planeta dos Macacos – a Guerra – macaco Cesar parte para a guerra (muito mais interna do que externa).

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Resenha do filme Planeta dos Macacos – a Guerra – macaco Cesar parte para a guerra (muito mais interna do que externa).

Sinopse: O filme retrata a conclusão da trilogia Planeta do Macacos e encerra com chave de ouro. 

Reflexões:

  • Autoconhecimento
  • Humanidade
  • Vingança

Resenha (contém spoilers):

A trilogia Planeta dos Macacos começou, em 2011,  com o filme Planeta dos Macacos – a Origem. Nele somos apresentados a Cesar um macaco que desenvolve inteligência fora do comum após ser submetido a uma nova droga. Droga esta que vinha sendo desenvolvida para combater a Doença de Alzheimer.

Ceasar aos poucos vai ficando mais inteligente, passa a se comunicar de forma mais elaborada e resolve dar a mesma droga a seus colegas símios, liderando um pequeno grupo de símios inteligentes que fogem para as florestas. Um vírus utilizado no laboratório de pesquisas é liberado durante a fuga dos macacos.

No segundo filme, vemos que o vírus levou a morte de grande parte da população. Este vírus provocou uma doença fatal que ficou conhecida como gripe símia. Este se alastrou pelo mundo e matou grande parte da população. Uma pequena parcela da população sobreviveu, pois eram naturalmente imunes ao vírus.

Após 10 anos, os humanos remanescentes de San Francisco precisam entrar na floresta para reativar uma usina hidroelétrica. Os recursos para manter os geradores funcionando estavam se exaurindo. A necessidade de uma nova fonte de energia era imperativa e a hidroelétrica era a melhor, senão única, alternativa. Daí resulta o reencontro entre as duas espécies.

Um inevitável confronto entre as duas espécies tem inicio. Neste filme vemos, além do confronto entre os macacos e os humanos, e o confronto de liderança entre Caesar (que acredita em um solução diplomática e pacifica) e Koga (que quer o confronto e o extermínio dos humanos).

Você pode conferir a resenha que fiz para este filme neste link.

No terceiro e último filme da trilogia, recém lançado, O Planeta dos Macacos – a Guerra, acompanhamos como Caesar vai para a guerra, tanto externa como interna.

Começamos o filme com o cerco de um grupo de militares humanos sobre uma comunidade de símios. Apesar de uma aparente vantagem dos humanos, os macacos saem vitoriosos. Caesar, o líder dos macacos, ainda acreditando em uma resolução pacifica, liberta alguns sobreviventes humanos para transmitir uma mensagem de paz ao seu coronel.

Os humanos voltam a atacar Caesar, bem no momento que estavam se programando para migrar para um local onde pudessem viver em paz. Neste ataque, familiares de Caesar morrem, sobrando apenas o pequeno Cornelius.

Preocupado com a sobrevivência do grupo, mas também dominado pela raiva e pelo desejo de vingança, ele resolve mandar o grupo seguir em frente enquanto iria atrás do assassino de seus familiares.

Neste ponto, vemos como Caesar está se comportando como humano. Uma guerra interna passa a ocorrer.

O que era esta raiva que o consumia? Tudo o que desejava era matar o assassino de seus familiares. Ele passou a agir de forma egoísta, em detrimento do coletivo. Uma forma bem humana de pensar.

Seria Caesar mais semelhante a Koga do que imaginava? Koga sempre foi a favor da violência. Caesar, ao ser dominado pela raiva, se questiona se não seria ele, mais parecido a Koga do que imaginava anteriormente.

No processo de busca pelo assassino, encontra o “macaco mau” e a pequena menina Nova.

Nova, apesar de ter poucas chances de sobrevivência se ficasse sozinha, não desperta qualquer sinal de compaixão em Caesar. Maurice e os outros companheiros, convencem Caesar a levar a menina com eles. Caesar está totalmente perdido da sua essência.

A menina não fala como era de se esperar. Ela também parece ter uma certa limitação cognitiva. No entanto, age de forma doce e singela, sempre disposta a ajudar e a agradar.

Ao longo do filme, descobrimos que a menina estava contaminada pelo vírus e que a doença progrediu para um estágio mais avançado, fazendo com que perdesse a capacidade de fala e parte de sua capacidade cognitiva.

Há um contraponto interessante entre Caesar e Nova. O macaco Caesar está mais humano do que nunca e isto o torna violento e egoísta. A menina Nova está menos humana e isto a torna doce e altruísta.

Nova tem um papel importante no resgate da verdadeira essencial de Caesar.

Segundo Ato

A segunda metade do filme se dá após Caesar e seus companheiros encontrarem a base militar comandada pelo “coronel” (interpretado por Woody Harrelson), o algoz responsável pela morte dos familiares de Caesar.

O coronel mantém vários símios, prisioneiros, e os utilizam como mão de obra escrava para fortificarem as defesas da base.

O coronel acredita que devem eliminar todos os humanos que apresentem os sintomas avançados da doença e que esta seria a única forma de salvar a raça humana. Para atingir este objetivo é capaz de realizar as piores atrocidades. Como ele mesmo diz: “Para salvar a humanidade é preciso perder um pouco a humanidade. ”

Sua crença nesta afirmação é tão forte que chegou a matar seu filho por este ter desenvolvido os sintomas de progressão da doença.

Nem todos os humanos pensam desta forma. Forças militares contrárias a este pensamento, em breve devem invadir a base do Coronel, daí vem a preocupação do Coronel de fortificar as defesas da base.

Caesar é capturado e também vira prisioneiro. Apesar da motivação inicial de vingança, Caesar, como líder nato, se vê novamente motivado a salvar seus semelhantes.

Com a ajuda de seus amigos, consegue ser bem sucedido em salvar os símios prisioneiros.

O desejo de vingança é muito forte, e ao assegurar a fuga dos macacos, resolve ir atrás do Coronel, apenas para constatar que ele também apresentou progressão da doença.

Um dilema imediatamente se cria: sucumbir a raiva e matar o Coronel ou  resgatar sua essência e não o matar?

Caesar resolve não matá-lo, mas deixa a arma ao alcance do Coronel, que seguindo suas próprias regras e crenças, tira a própria vida ao constatar que está com doença avançada.

O filme mostra como a raiva e a vingança tem o poder de cegar. Caesar teve um árduo processo de reencontro com sua essência, mas no final foi bem sucedido.

Esta trilogia de filmes Planeta dos Macacos, fogem do senso comum dos blockbusters, que buscam apenas a diversão, o entretenimento descompromissado e ausência de temas complexos.

Em suas entrelinhas, o filme gera muitas reflexões e questionamentos sobre o que é ser humano, o que nos diferencia dos outros animais e  como o diferencial que nos torna superiores a outros  animais podem também ser nossa perdição.

 

Ficha Técnica:

Nome : Planeta dos Macacos – a Guerra

Tradução : War For The Planet of Apes

País : USA / Canada / Nova Zelândia

Ano: 2017

Diretor: Matt Reeves

Nota IMBD:  82

Nota Rotten Tomatoes: 93 (críticos) 86 (audiência)

 

 

Trailer:

Tags : resenha
Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP
aficcionado por cinema e tecnologia
interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano
idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

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