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Resenha do filme “Que Horas Ela Volta” – Ausência das mães e reconciliação

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Ausência das mães e reconciliação no filme “Que Horas Ela Volta”

Sinopse: A chegada da filha Jessica em São Paulo para prestar vestibular cria uma série de conflitos para sua mãe Val e em toda dinâmica da família para a qual sua mãe trabalha.

Reflexões:
• relações familiares
• relações trabalhistas (patrão/empregado)

Resenha:

Fui assistir ao filme “Que Horas Ela Volta?” junto com minha esposa, Bia, sua mãe, Naura, e duas amigas. Imaginávamos que o filme seria comovedor. Dito e feito, o filme da diretora Anna Muylaert, tocou fundo em todos nós. Uma obra prima do cinema nacional, mais que isso, um filme transformador.

Naura, minha sogra, trabalhou muitos anos e até pouco tempo atrás como diarista em casa de família. “O filme mostra a realidade, é assim mesmo que as patroas me tratavam”, disse Naura, na saída do Cine Caixa Belas Artes, uma das duas dezenas de salas que estão passando o filme atualmente. Minha esposa saiu do cinema aos prantos, muito identificada com os personagens, que conta muito de sua história e de sua mãe.

que horas ela volta 2Há muitos ângulos para falar sobre o filme. O que mais gosto é o da reconciliação entre pais e filhos. Neste caso, a história mostra as dificuldades de relação entre Val (Regina Casé) e sua filha Jéssica (Camila Márdila). São dez anos de distanciamento. Val trabalha e mora em casa de família em São Paulo. Jéssica vive no Recife e decide vir à capital paulista para prestar vestibular.

No enredo, a relação entre patrões e empregada doméstica é o foco central. Na verdade, o filme não deixa de ser uma denúncia sobre o tratamento das famílias ricas ou de classe média alta dado às empregadas. Verdadeiro resquício da escravidão. Denúncia muito bem feita, diga-se de passagem, com humor, sutileza, mas também com muita força. Sobre este ponto poderíamos escrever muitas páginas para ressaltar este importante aspecto. Mas vamos por outro caminho, que é o das relações entre pais e filhos, mais especificamente, sobre a ausência das mães.

Val é uma mãe que não teve condições de ficar ao lado da filha. Claro, pesam as condições financeiras e a vida massacrante que teve que levar na metrópole. Também por problemas de relação com o pai da menina, é bem verdade, mas sobretudo, porque teve que trabalhar muito para mandar dinheiro para manter a filha.

Porém, sua patroa Bárbara, também é mãe ausente. Ela delegou a educação e a afetividade do filho Paulinho, justamente para Val. A família de Bárbara caminha para a desagregação, o marido está deprimido. O filho não tem estímulo para estudar.

que-horas1A chegada de Jéssica à casa de Val, ou melhor, à casa dos patrões, pois ela mora no serviço, é um furacão que mexe com todos. Provoca crises e conflitos. Não vale a pena contar detalhes da história, mas simplesmente ressaltar a virada na vida de Val. Ela se conscientiza que o mais importante é retomar a relação com a filha.

E finalmente ocorre a reconciliação. Poucos fatos podem ser mais profundos que um processo de reconciliação verdadeiro, entre pais e filhos. E aí está a força de “Que Horas Ela Volta?”. Todas as outras mensagens do filme também são muito importantes, mas a comoção positiva é gerada pela reconciliação entre Val e Jéssica.

Frases para refletir: – A entrada na piscina na casa dos patrões de Jéssica e de Val.

Premiações: 5 premiações e 2 indicações

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Ficha Técnica:
Nome: Que horas ela volta ?
Pais: Brasil
Ano: 2015
Diretor: Ana Muylaert
Escrito por: Regina Case, Ana Muylaert

 

 

 

Nota IMBD: 8.1

Nota Rotten Tomatoes: 95 % / 97 %

 

Tags : filmerelacionamento

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