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Resenha do livro Scrum : A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo.

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Resenha do livro Scrum : A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo.

Na época da virada do ano novo (já passou um mês!), comentei que uma boa tática para aumentarmos nossa chance de cumprir nossas metas de ano novo era adotar o método Scrum na vida pessoal. Na época ainda não havia terminado o livro mas já havia visto o poder da metodologia e como poderia ser muito útil ao aplicarmos em nossa vida pessoal.


Como promessa é divida, aqui está meu post com a resenha do livro.

O livro começa abordando como a metodologia de projetos em cascata é a mais frequentemente adotada e, infelizmente, a responsável por projetos com regulares atrasos e orçamentos estourados. Nesta metodologia, se elabora uma programação de todas etapas do projeto do inicio ao fim, comumente, resultando em relatórios quilométricos e pouco funcionais. Sutherland afirma que ao visitar uma empresa geralmente encontra 85 % de esforço desperdiçado. Apenas um sexto do trabalho feito realmente produz algum valor.

O Scrum foi criado para mudar isto, produzir mais, com qualidade, com menos dinheiro e em menos tempo. Utópico? Impossivel? Ao ler o livro você se convence que as respostas para estas perguntas é um sonoro: NÃO.

A metodologia Scrum se baseou no Scrum, que é um momento na partida de Rugby no qual todos os jogadores do time devem estar em sintonia com os companheiros, exercendo força de forma coordenada e sincronizada.

Esta metodologia foi idealizada para a criação e desenvolvimento de softwares, mas como o próprio autor coloca no livro, as possibilidades de aplicações são inúmeras e variadas, suas técnicas podem ser aplicadas desde a reforma de uma casa até na educação em sala de aula.

A ideia por trás da metodologia Scrum é realizar paradas regulares para checar se o projeto está caminhando no caminho certo, identificar as dificuldades e obstáculos que estão encontrando, avaliar se algo pode ser mudado para obter resultados melhores e mais rápidos e ir sempre checando se os resultados obtidos estão compatíveis com aqueles esperados. Isto se chama “inspeção e adaptação”.

O Scrum propõe em priorizar os pontos mais importantes do projeto, aquelas características que geram mais valor. Estudos demonstraram no desenvolvimento de um software, 80 % do valor do mesmo se encontra em 20 % de suas funcionalidades. Se parar para pensarmos, isto é realmente uma verdade. Pense nos aplicativos que você usa como word, excel, photoshop, powerpoint, etc, em cada um deles, existem funcionalidades que nunca iremos usar, mas que estão disponíveis e que demandaram muito tempo e esforço para sua implementação.

Extrapolando para nossa vida, também devemos dar prioridade para aquilo que é mais importante para nossa vida e em nosso trabalho. Me lembra da metáfora do pote já publicada no blog anteriormente. Se não viu, dê uma pausa e confira agora neste link.

Voltando ao Scrum, ele funciona com a definição de objetivos sequenciais que devem ser concluídos em um período de tempo definido. É o Sprint. Entre cada Sprint, se realiza uma reunião, no qual se analisa o que foi realizado, se teve algum problema que deva ser ultrapassado e cada um escolhe as tarefas que acham que conseguem realizar no próximo Sprint. Elas pegam o post it da tarefa que estava no setor A Realizar e a colocam no setor Em Execução. As tarefas completadas são mudadas da posição Em Execução para Completadas.

No artigo intitulado “The New York Product Development Game”, os autores Takeuchi e Nonaka descreveram as características das equipes Scrum nas melhores empresas do mundo:

1) Transcendência – senso de propósito além do comum, transformar o ordinário no extraordinário, senso ser grandioso e de não estar na média.

2) Autonomia – equipes se auto organizam e se auto gerenciam, tomam suas próprias decisões em prol de um bem comum

3) Interfuncionalidade – os integrantes da equipe possuem todas as habilidades necessárias para a realização do projeto (planejamento, projeção, produção, vendas, distribuição) e se alimentam e reforçam umas as outras.

Mais uma vez transpondo para o âmbito pessoal, podemos replicar estas características e torná-las inerentes do nosso ser, buscando atingir a excelência que a metodologia Scrum propõe.

1) Transcendência pessoal – Devemos pensar grande, não se contentar em estar na média, temos a potencialidade de ir mais longe, transformar o mundo em que vivemos e influenciar positivamente os que nos cercam.

2) Autonomia pessoal – Temos capacidade de nos auto gerenciar, ver o que está dando certo em nossa vida e aprimorar estas habilidades e identificar quais comportamentos estão nos afastando dos nossos objetivos de vida e anular estes comportamentos.

3) Interfuncionalidade – Nesta autoanálise, conseguimos identificar nossos pontos fracos. Temos algumas alternativas, para superar estas dificuldades. Desenvolver as habilidades que nos são carentes e/ou associar a pessoas que suprem e promovam suporte necessário para o desenvolvimento de um projeto pessoal. Por exemplo, esta muito difícil incorporar a prática de alimentação saudável na sua vida. Contrate uma nutricionista para ajudar neste seu propósito.

Um dos pontos principais do Scrum é a economia do tempo, fazer mais em menos tempo. Como Sutherland cita em seu livro: “O tempo constitui sua vida, então, desperdiça-lo, na verdade, é uma forma lenta de suicídio.”.

Como comentei no post sobre resoluções de ano novo, por que esperar um ano para avaliar se conseguimos cumprir nossa metas ou não? Caso não tenhamos cumprido nossas metas (fato este é muito comum e provável de acontecer), teremos desperdiçado um ano completo em nosso desenvolvimento pessoal. O Scrum aplicado em nossas vidas pessoais, permite nos desenvolvermos mais rapidamente em menos tempo.

Vejam o que Sutherland diz em seu livro:

“ Quando criei o Scrum, pensei: e se eu conseguir pegar os padrões humanos e torna-los positivos, em vez de negativos? E se eu conseguir desenvolver um ciclo virtuoso que sempre se reforce e que promova o que temos de melhor e diminua o que temos de pior? Ao dar o Scrum um ritmo diário e semanal, acho que o que eu estava tentando era oferecer às pessoas a chance de gostarem da pessoa que veem no espelho”.

Um outro ponto que o livro aborda é a multitarefa. Segundo o Scrum, devemos concentrar nossos esforços em uma tarefa de cada vez. Ele cita um trabalho de Gerard Weinberg que com um projeto apenas, temos 100 % do tempo focado no projeto e 0 % de tempo perdido com a troca de contexto de um projeto para outro. Com cinco projetos simultâneos, perdemos 75 % do tempo com a mudança de contexto e apenas 5% de tempo para cada um dos projetos. Em bom português, em um dia de trabalho com cinco projetos simultâneos, jogamos no lixo três quartos do nosso tempo!

Enfim espero tem convencido você do poder deste incrível livro. O Scrum é fazer uma tarefa de cada vez, com foco, com produtividade, com revisões periódicas até chegar a um projeto final. Melhorias continuas, sempre avançando, um degrau de cada vez. Toda reunião do Sprint do método Scrum finaliza com as seguintes questões: o que deu certo? O que deu errado? O que poderia ter sido melhor? O que poderia ser aperfeiçoado?

Os japoneses usam uma palavra para resumir esta postura, ‘kaizen’ (ou ‘aperfeiçoamento’). Qual é o pequeno aprimoramento que pode ser feito imediatamente para tornar as coisas melhores?
Acho que esta é uma boa filosofia de vida… KAIZEN…

Ficha técnica:
scrum

Título original : Scrum : The art of doing twice the work in half the time
Título publicado: Scrum : A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo.
Autor: Jeff Sutherland – co criador do Scrum
Editora Leya
Ano: 2014
ISBN: 9788544100882

 

 

Foto: Pixabay / Jarmoluk

Tags : livroprodutividaderesenha
Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP
aficcionado por cinema e tecnologia
interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano
idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

2 Comentários

  1. Bom dia Rogerio.
    Eu estava na dúvida sobre comprar ou não o livro, acabei de ler o que faltava para meu convencimento. Parabéns pelo artigo e espero conseguir extrair do livro os recursos e método citados.
    Um abraço!

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