fechar
Divertir, mas inspirarLivros

Resenha do livro O Que Me Faz Pular… Este maravilhoso livro vai desmistificar tudo o que você (acha que) sabe sobre autismo.

O que me faz pular1

Resenha do livro O Que Me Faz Pular… Este maravilhoso livro vai desmistificar tudo o que você (acha que) sabe sobre autismo.

Um livro esclarecedor e inspirador que todos deveriam ler.

Este livro foi escrito por Naoki Higashida, que nasceu em 1992 e foi diagnosticado com “tendências autistas” em 1998. Aos treze anos de idade com ajuda de um método de comunicação por escrito ele escreveu este livro  “O que me faz pular”.

Devido a dificuldade da comunicação verbal, ele conseguiu usar um método alternativo para expressar seus pensamentos, por meio de uma placa com o alfabeto e um computador.

Naoki conta como foi difícil se adaptar a este método mas o que o estimulou a persistir foi a necessidade de se expressar.

“O que me fez insistir nisso foi o pensamento de que para viver como um ser humano nada seria mais importante do que a capacidade de me expressar.”

Para aqueles que lerem o livro vão poder constatar que ele conseguiu dominar o método e conseguiu se expressar muito bem apesar das dificuldades impostas pelo autismo.

O livro é como se fosse uma entrevista sobre a condição de ser um autista.

Ele nos faz compreender que  muitos dos comportamentos são realizados sem que o autista tenha controle sobre suas ações ou são adaptações para que se sintam mais confortáveis.

O livro responde questões como:

Por que as pessoas com autismo falam tão alto e de forma estranha?

Por que faz a mesma pergunta o tempo todo?

Por que faz as coisas que não deve mesmo que já tenha sido advertido um milhão de vezes?

Por que não faz contato visual quando está falando?

Estas e outras perguntas são respondidas de forma muito clara e nos faz enxergar como muitas vezes interpretamos essas atitudes de forma equivocada

Uma simples conversa… simples?

Naoki afirma como uma simples conversa, tão natural para qualquer um, é uma tarefa muito árdua para o autista.

“Para ser compreendido, é como se eu tivesse que falar uma língua estrangeira desconhecida a cada minuto de cada dia.”

“Vocês, pessoas normais, falam numa velocidade inacreditável. Entre pensar alguma coisa na sua cabeça e dizer, leva apenas uma fração de segundo. Para nós, é como se fosse mágica!”

Em outro momento afirma como fica incomodado quando as pessoas se dirigem a ele de forma infantil como se fosse facilitar o entendimento do autista. Ele gostaria que as pessoas se relacionassem com ele de acordo com a idade que possuem.

“Compaixão de verdade significa não pisar na autoestima alheia. Pelo menos é assim que eu penso.”

“Nossos sentimentos são iguais aos de todo mundo, só não conseguimos encontrar uma forma de expressá-los.”

A incompreensão dos outros perante a sua condição pode levar a interpretações errôneas, como a de que gostam de ficar sozinhos.

“A verdade é que amamos ter companhia. Mas, como as coisas nunca dão certo, acabamos nos acostumando com a solidão sem sequer perceber com isto aconteceu. Toda vez que escuto alguém comentar o quanto eu prefiro estar sozinho, isso me faz sentir solitário demais. Sinto como se estivessem me dando um gelo de propósito.”

É de tocar o coração…

Falando em toque

Ao ser questionado sobre a aversão ao toque, Naoki responde “ser tocado significa que outra pessoa está exercendo controle sobre um corpo que nem sempre seu dono é capaz de controlar direito. É como se perdêssemos o que somos. Pense nisso, é apavorante!”

Atos banais para qualquer um como um toque, para o autista se torna algo tenebroso.

Este livro contradiz um dos mais tenebrosos mitos sobre o autismo: que as pessoas com esta condição são solitários antissociais e desprovidos de empatia.

Após ler este livro ficamos com a percepção de que nossa sociedade se encontra em uma quase completa ignorância em relação ao o que acontece na cabeça de um autista.

Em um exercício de empatia, após os esclarecimentos obtidos ao ler o livro, fica fácil e angustiante imaginar o quão grande deve ser o sofrimento do autista com o fato de não conseguir se expressar como gostariam.

Segundo as palavras do próprio Naoki:  “nós nunca sentimos que nossos corpos de fato nos pertencem.”

Este livro é um livro tocante e inspirador, que nos faz ver como é difícil se colocar no lugar do outro, ainda mais em uma condição tão misteriosa como o autismo.

Sempre interpretamos o comportamento do outro com base em nosso padrão de pensamento (como agiríamos), o difícil é se colocar na condição do outro e procurar identificar o porquê ele se comportou daquele jeito.

Empatia…

Finalizo com um apelo de Naoki, uma súplica para as pessoas com as quais convivem tenham paciência com eles e nunca deixem de dar suporte:

“Nós, crianças com autismo, gostaríamos que vocês cuidassem de nós – ou seja, ´por favor, nunca desistam de nós`. E a razão pela qual digo `cuidassem de nós´é que ficamos mais fortes só pelo fato de vocês estarem por perto e atentos.”

Você deve estar se perguntando:

E quanto ao título do livro “O que me faz pular”, qual é o significado deste titulo?

Para obter esta resposta, você terá que ler o livro…

 

Título: O que me faz pular

Autor: Naoki Higashida

Editora: Intrínseca

Tradução: Rogério Durst

Páginas: 192

Gênero: Não Ficção

Formato: 14 x 21 cm

ISBN: 978-85-8057-497-5

E-ISBN: 978-85-8057-498-2

Lançamento: 20/03/2014

Tags : resenha
Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP aficcionado por cinema e tecnologia interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

Leave a Response

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE