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Resenha Black Mirror – 4ª temporada – 2º episódio – Arkangel – a linha tênue entre a proteção do pais e a liberdade dos filhos em discussão.

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Resenha  Black Mirror – 4ª temporada – 2º episódio – Arkangel – a linha tênue entre a proteção do pais e a liberdade dos filhos em discussão.

Todos os pais vão parar para refletir com este 2º episódio da nova temporada de Black Mirror.

(contém spoilers – assista ao episódio antes de ler esta resenha)

Neste episódio acompanhamos Marie, mãe da pequena Sara, que sofre do mesmo dilema pelo qual todos os pais passam nos tempos modernos: a preocupação com os filhos em meio a uma sociedade violenta e insegura.

Somos bombardeados diariamente por noticiários televisivos nos quais as notícias sobre mortes, sequestros, assassinatos, corrupção e guerra predominam em quase sua totalidade.

Isto cria uma sensação de insegurança e medo que torna automático um excesso de zelo e super-proteção dos pais perante a ingenuidade e pureza das nossas crianças.

Que pai que não fica preocupado com o filho quando sai para uma balada?

Este episódio da nova temporada do Black Mirror trata exatamente sobre esta questão.

Após um episódio assustador no qual a pequena Sara, com apenas 3 anos, se perde da mãe ao ir atrás de um gato, Marie se rende ao controle total que uma nova tecnologia experimental lhe traria.

A empresa Arkangel, que dá nome ao episódio, criou uma tecnologia na qual um chip é implantado na criança permitindo que a mãe saiba sua localização, acesse a visão da mesma, monitore sinais vitais como batimentos cardíacos e ainda possibilita ativar um filtro que impede que a criança veja algo que possa lhe fazer mal, como um ato de violência ou um perigo.

Que pai não gostaria de ter este dispositivo?

Mas como na maioria dos episódios de Black Mirror, o desenrolar dos acontecimentos não ocorre de acordo com o esperado.

Na fase de adolescência, Sara por ter sido poupada de vivenciar situações de estresse e perigo começa a adoecer. A recomendação médica é abandonar o dispositivo uma vez que não era possível extrair o mesmo.

Sara, no período imediato ao abandono do dispositivo se sente desconfortável e insegura, afinal, a mãe não estaria mais vigiando-a, protegendo-a. A mesma angústia, talvez ainda maior, acontece com a mãe acostumada com a tranquilidade que o dispositivo lhe trazia.

Após este desconforto inicial, Sara passa a querer experimentar as mesmas sensações das quais foi privada e passa a ver vídeos violentos.

Agora sabendo que a mãe não está mais vigiando, passa a mentir para ir namorar.

Quando Marie descobre que a filha não estava na casa da amiga assistindo filme com disse que estaria, a tentação de voltar a usar o dispositivo é muito grande.

Ela não resiste e ao religar o dispositivo, descobre sua filha tendo relações sexuais e utilizando drogas ilícitas. Ela ameaça o namorado e o obriga a desistir do relacionamento com a filha, reinvindicação esta prontamente acatada pelo adolescente.

A filha descobre que a mãe voltou a usar o dispositivo e revoltada com a invasão de privacidade, foge de casa.

Além do questionamento evidente sobre o limite tênue entre a proteção dos pais e a liberdade dos filhos, há um questionamento importante sobre o papel das emoções negativas na construção de uma personalidade.

A vida é cheia de intempéries e situações de perigo. Mas será que poupar a criança destas situações é a melhor forma de educá-la?

Não seria melhor discutir as situações de desconforto, medo e decepções a medida que elas forem acontecendo para que a criança crie ferramentas internas próprias para ela lidar com estas situações caso se repitam no futuro?

Marie ao poupar a Sara destas situações de estresse deixou a filha despreparada para a vida, incapaz de distinguir o certo do errado.

Será que este comportamento rebelde, mentindo para a mãe, aceitando utilizar drogas ocorreu justamente por causa do dispositivo, em uma ânsia por experimentar situações e sensações da qual foi privada com o dispositivo?

Enfim, este episódio vai atingir em cheio todos que são pais e que passam por este desafio diário que é achar o meio termo ideal entre proteger e libertar o filho.

Na minha visão, proteger sim, mas não em excesso, evitando que os deixemos despreparados para a vida.

E para você, que questionamentos este episódio lhe provocou?

Trailer do episódio:

Tags : educaçãofamíliaresenhasérietecnologia
Rogerio Chinen

O Autor Rogerio Chinen

médico formado na UNIFESP aficcionado por cinema e tecnologia interessado em questões filosóficas e sobre o conhecimento humano idealizador, criador e webmaster do site Espiral de Valor

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